Cidadania adiada…?

Vai certamente chegar um momento (mas quando?) em que a percepção e o sentimento que a maioria dos cidadãos tenham do nosso país seja mais reconfortante, mais tranquilizador e mais encorajante.

Momento em que tenhamos a capacidade de dizer que… “podemos não andar ainda pelo melhor caminho, e estar a cometer erros na gestão económica, insuficiências nas estratégias sociais, culturais e educativas, mas sentimo-nos colectivamente engajados com um verdadeiro projecto de país” porque, como cidadãos, disporíamos do espaço e dos mecanismos para contribuir para que os erros e as insuficiências se superassem!

Ou de pensar: “Sentimo-nos bem, porque irmanados por um projecto comum, assente em ideias de justiça e de equidade, sabendo como velar para que seja executado com competência, com lealdade e com patriotismo”, pois possuiríamos um sólido conhecimento das nossas História e Cultura, e de um profundo entendimento de como encarar e gerir os novos desafios do mundo global.

Momento em que tenhamos a tranquilidade de viver as nossas vidas com a certeza de que… “as estruturas do Estado e do poder governativo estão entregues em mãos de quem, acima de tudo, se guia pelas leis, e pelas regras da seriedade, humildade,respeito pelos direitos individuais de cada um dos cidadãos, e do dever intangível de serem apenas servidores da nação”, onde os abusos, o clientelismo, e os desrespeitos pela cidadania seriam vistos como desvios e não como regra.
E em que sintamos a garantia de que… “nenhum ideal partidário, nenhum interesse corporativo, ou ‘de classe’, de família ou de origem, possa estar acima dos interesses colectivos dos angolanos, e que as instituições estatais são um templo sagrado, pela qualidade dos seus funcionários, quadros e dirigentes, e pela protecção de que são alvo”, o que nos tornaria cidadãos confiantes de que o projecto pátrio faria verdadeiramente sentido.

Em que, enfim, nos assegurássemos que… “a recuperação do imenso atraso que acumulámos em proporcionar a todo e qualquer cidadão o adequado acesso à educação e à cultura, esteja a ser realmente levada a sério, seja tornada absoluta prioridade de qualquer governo nas próximas décadas”, única forma que teríamos de olharmos para nós, cidadãos, como pessoas valorizadas e conscientes do nosso valor individual e colectivo.

Se esse momento tarda tanto em chegar, é mais do que legítimo perguntarmo-nos porquê. Confrontar os que exercem o poder – ou os que a ele aspiram – com a necessidade de uma resposta convincente a esta questão deve ser considerada uma forma de os ajudar.

Os quatro anos de tentativa de “corrigir o que estivesse mal e melhorar o que estivesse bem”  revelam – convidamos a essa reflexão – a nossa incapacidade colectiva nacional de enveredar por caminhos verdadeiramente autocríticos e onde novos ideais se afirmem. O que mudou?

O que nos falta para conseguirmos chegar a esse momento, com  alguma urgência que o tempo histórico requer? (e não o “tempo político”, como sugeria recentemente Adriano Mixinge).

No cenário político que caracteriza o nosso país desde há quase cinco décadas, e mesmo na eventualidade de uma alternativa partidária em 2022, o que é indispensável é que se mude a cultura política, a maneira de se olhar, de se viver e de fazer funcionar o Estado. E isso, só a cidadania o pode conseguir.

Deve ser a cidadania a reclamar a despartidarização do poder político, legislativo e judicial (a História mundial ensina-nos que os partidos nunca o farão, se só deles depender). Para uma melhor gestão e funcionamento das instituições do Estado. Das forças de segurança e da polícia. E sobretudo da cultura e da educação.

Não nos aparecerá nenhum partido político, frente ou coligação, candidato à governação em 2022 que se comprometa previamente com o início de um processo sério de despartidarização? Que inclua esse imponderável claramente no seu programa, demonstrando terem compreendido que o país é mais importante que eles próprios…?
Não seria encorajante discutir-se e preparar-se essa mudança à volta de uma mesa – agora mesmo – em que se negoceiem os pactos (que já muitas vozes insistem em defender) de que tanto necessitamos para salvar o país? Fazendo desse debate o cerne do processo eleitoral, e assim elevando o prestígio da nação…

Não será possível pensar-se nas autarquias (começando por estabelecer oficialmente a data da sua realização) numa base despartidarizada? Não se consegue vislumbrar o bem que isso faria ao país? Com o pensamento no cidadão, para que este também saia da sua atitude passiva, motivando-se para a acção concreta, e corresponsabilizando-se pela resolução dos seus problemas, os problemas do Povo…

São questões que importaria debater amplamente – sem adiamentos – com mais profundidade e com elevado sentido de responsabilidade.

O maior perigo que o país enfrenta neste momento é que a opção seja, uma vez mais, a do mero confronto e da luta pela vitória partidária em 2022 (luta que tem sido usada para, precisamente, fugir a estas questões e simplesmente conseguir a manutenção do poder; ou tentar conquistá-lo).

Só resta contar com o bom senso e o patriotismo daqueles que – tendo criado o sistema em que estamos afundados – reconheçam que sem os cidadãos (que também são) não há caminho.

Por:  Académico angolano independente

Fonte: Jornal de Angola
Ver artigo em: https://www.jornaldeangola.ao/ao/noticias/cidadania-adiada/

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