João Lourenço abre ano académico no subsistema do Ensino Superior

O Presidente da República, João Lourenço, desloca-se, hoje, à cidade do Cuito, província do Bié, para proceder à abertura do ano académico 2021/2022 no subsistema do Ensino Superior.

No Cuito, o Chefe de Estado inaugura, igualmente, a Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), instituição de ensino privado da iniciativa da Fundação Universitária Ibero-Americana e da Universidade Europeia do Atlântico, construída no âmbito da cooperação entre os Governos de Angola e de Espanha.

Com dez cursos disponíveis nas áreas de Engenharias (o forte da instituição), bem como Ciências Sociais e Saúde, a UNIC está capacitada para receber cinco mil estudantes, mas, devido a um instrutivo do Ministério de tutela, só vai começar com 2.200 alunos.

A informação foi prestada, ao Jornal de Angola, pelo director da UNIC, Victorino Baião. O responsável adiantou que, numa primeira fase, a instituição vai ministrar apenas cursos de licenciaturas, mas a intenção passa por leccionar, também, nos próximos anos, mestrados. Já é visível, na UNIC, que se encontra na cidade do Cuito, bem ao lado do Hospital Provincial do Bié “Walter Strangway”, a movimentação de vários jovens que escolheram a instituição para se formar.

Muitos deles vêm de outras províncias, como Cabinda, Zaire, Cunene, Luanda, Huambo, além de cidadãos portugueses, cubanos e congoleses, bem como angolanos que, não tendo terminado a formação na Zâmbia, escolheram a instituição para dar continuidade aos estudos, começando do zero. “Temos dito que o Cuito, em particular, está a congregar quase todo o país”, frisou o director.

Abília Ngungo é uma das estudantes admitidas nesta instituição de ensino no curso de Enfermagem Geral. Disse já ter tentado, por duas vezes, ingressar em outras instituições de ensino superior, mas sem sucesso. “Não tive sorte. Fui reprovada. Mas, agora, estou muito feliz e, ao mesmo tempo, ansiosa, na medida em que esta universidade promete oferecer um ensino de qualidade”, referiu.

Alexandre Miranda, 22 anos, já tem uma licenciatura em Comunicação Social, mas decidiu frequentar mais uma, em Engenharia Civil. “O meu objectivo é ser um jovem bem preparado academicamente para ajudar não só a minha província a desenvolver, como, também, o próprio país”, realçou.

Januário Baki deixou Ca-binda para estudar na UNIC. Disse não ver a hora de começar a estudar. Inscrito no curso de Engenharia Eléctrica, disse tratar-se do curso que sempre desejou frequentar. “É o meu sonho”, afirmou. Na área de Engenharia, a universidade dispõe de cursos como Engenharia Civil, Química, Eléctrica, Industrial e Informática. Nas Ciências Sociais, estão disponíveis os cursos de Jornalismo, Direito, Psicologia das Organizações, Administração e Gestão e Enfermagem.

A instituição conta, para este ano lectivo, com um corpo docente formado por professores nacionais e estrangeiros. Entre os estrangeiros, constam docentes de nacionalidade cubana, espanhola, mexicana, argentina, moçambicana e outros.
Com o surgimento da UNIC, a província do Bié passa, agora, a contar com cinco instituições de ensino superior, sendo duas públicas e três privadas. Um total de 730 jovens encontrou o primeiro emprego nessa instituição de ensino.

Alfredo Carlos, 24 anos, natural do Bié, disse que vai aproveitar o salário que recebe na UNIC para pagar a sua formação, por sinal na mesma instituição. “Só tenho que aproveitar, de todas as maneiras, essa oportunidade que me foi dada”, salientou o jovem, que vai frequentar o curso de Administração e Gestão de Empresa.

Governador considera UNIC “um grande ganho para a província”

O governador da província do Bié, Pereira Alfredo, considerou o surgimento da Universidade Internacional do Cuanza um grande ganho para a população da província do Bié, sobretudo para a juventude.

Pereira Alfredo garantiu que a necessidade da formação de jovens angolanos continua nas prioridades do Governo, acrescentando que continuam os esforços tendentes à construção, na província, de estabelecimentos do ensino superior, quer públicos, quer privados. Sublinhou que a UNIC dispõe de cursos como as engenharias, que interessam bastante à região.

Pereira Alfredo ressaltou que, na componente social, a província não está muito carente, o que não se pode dizer das ciências técnicas e tecnológicas. “Por isso, enaltecemos os investidores que, a fundos perdidos, aceitaram investir na nossa província”, salientou.

O governador destacou o facto de ser a primeira vez que uma universidade, com esse cariz, se instala no interior do país. Revelou que um dos objectivos da sua governação é fazer do Cuito uma das cidades académicas do país.

Espera que a Universidade Internacional do Cunaza surja para contribuir na diversificação da oferta formativa de qualidade na província, “uma divisa que todos os dias temos que lapidar”. Partindo do princípio de que não há educação superior sem a educação de base, o governador disse também estar a ser feito na província um grande investimento no subsistema do ensino geral. Neste particular, destacou a construção, na província, de 67 escolas, que vão perfazer 550 novas salas de aulas.

Essas novas salas, disse, vão permitir acolher pouco mais de 40 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino ou a estudarem em condições precárias. “Já começamos a colocá-las em funcionamento”, frisou Pereira Alfredo, para quem este ano e o próximo serão decisivos para o sector da Educação na província.

Esta é a terceira vez que o Presidente da República se desloca à província do Bié, desde que assumiu os destinos do país, em 2017. A última visita de trabalho do Chefe de Estado a esta província aconteceu em Setembro do ano passado e serviu para inaugurar a maior unidade hospitalar da região, o Hospital Provincial do Bié “Walter Strangway”.

O governador provincial considerou que o regresso do Presidente João Lourenço ao Bié serve de conforto. “Estamos expectantes que a visita possa ocorrer e que produza os frutos que todos nós almejamos”, disse Pereira Alfredo, para quem o Titular do Poder Executivo vai encontrar “uma província em franco desenvolvimento”.
César Esteves | Cuito

Fonte: Jornal de Angola
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