Mais de 62% dos trabalhadores em Angola não têm contrato escrito, revela Instituto Nacional de Estatística
A realidade do mercado de trabalho em Angola continua a ser marcada pela informalidade. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, mais de 62% dos trabalhadores no país não possuem contrato de trabalho escrito, o que levanta preocupações sobre segurança laboral e direitos dos trabalhadores.
Segundo o Anuário do Inquérito ao Emprego em Angola 2025, apenas 37,2% dos trabalhadores tinham contrato formal, sendo que a maioria exerce actividade em negócios de pequena dimensão, com menos de cinco trabalhadores.
Predomínio de pequenos negócios e trabalho informal
O relatório revela que cerca de 79,2% dos trabalhadores estão inseridos em pequenas unidades económicas, o que explica, em parte, a elevada taxa de informalidade.
Entre os locais de trabalho mais comuns:
- 43,5% trabalham em fazendas e quintas
- 23,3% em escritórios, fábricas, escolas e hospitais
- 5,5% exercem actividade na rua
A informalidade continua a dominar o cenário laboral, com 78,8% da população empregada envolvida em actividades não formais.
Jovens e mulheres mais afetados
Os dados mostram que a informalidade atinge de forma mais acentuada:
- 95,0% nas zonas rurais
- 88,1% entre as mulheres
- 93,4% entre jovens dos 15 aos 24 anos
Estes números indicam desafios estruturais no acesso ao emprego formal, especialmente para grupos mais vulneráveis.
Mais de 13 milhões de angolanos empregados
Apesar das dificuldades, o país registou 13,36 milhões de pessoas empregadas em 2025. No entanto, a taxa de desemprego continua elevada, fixando-se em 28,3%, o equivalente a 5,28 milhões de pessoas sem emprego.
O relatório estima ainda que Angola tinha uma população total de 36,40 milhões de habitantes, sendo que 23,89 milhões vivem em áreas urbanas.
Desafio para o futuro do emprego em Angola
Os dados do Instituto Nacional de Estatística reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para a formalização do emprego, criação de oportunidades sustentáveis e proteção dos trabalhadores.
A redução da informalidade será essencial para garantir maior estabilidade económica, aumento da arrecadação fiscal e melhores condições de vida para milhões de angolanos.