A Associação dos Estudantes das Universidades Privadas apelou ao Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e às instituições empresariais a criarem uma plataforma digital, que facilite aos jovens licenciados realizarem inscrições de candidatura a empregos.
O presidente da Associação, Joaquim Caiombo, referiu, ontem, que, com a criação da referida plataforma digital, o Executivo e as instituições empresariais teriam o controlo dos recém-graduados que continuam desempregados e as suas áreas de formação.
No que concerne à qualidade das infra-estruturas académicas, o presidente da Associação dos Estudantes das Universidades Privadas disse que as instalações vocacionadas ao ensino ainda não são aceitáveis. “Algumas instituições têm condições muito básicas, longe daquelas recomendadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)”.
No dizer de Joaquim Caiombo, em termos de infra-estruturas, faltam as condições laboratoriais e as três componentes deste nível de formação superior, nomeadamente a extensão, investigação e o ensino.
Para o representante associativo, urge um ambiente académico mais adaptado às exigências da docência, sobretudo no apetrechamento dos laboratórios e criação de bibliotecas com livros de acordo com os cursos existentes nas mesmas instituições.
“Muitas vezes, a biblioteca está cheia, mas só tem livros de um ou de outro curso. Outras vezes, são livros desactualizados e não ajudam no processo de ensino e aprendizagem”, argumentou.
Por outro, considerou a cultura de investigação ainda muito reduzida, quer da parte dos docentes quer dos discentes, por não existirem incentivos à pesquisa.
Joaquim Caiombo felicitou o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, por ter lançado, agora, o Prémio Nacional de Pesquisa, que vai encorajar os jovens com vontade de pesquisar.
O presidente da Associação reconheceu que alguns professores não impulsionam a cultura de investigação, por falta de incentivos. “É um dever dos professores e das instituições promoverem a cultura da investigação, embora haja carência de sites para publicarem os seus artigos”, disse.
Por isso, recomendou às Instituições do Ensino Superior a criarem mecanismos que permitam a publicação de artigos. “Um docente ou um jovem pode ter vontade de pesquisar e publicar, mas não tem, por exemplo, uma revista ou site, numa altura em que temos apenas uma ou outra universidade com revista”, finalizou.
Centenas de fraudes
Um total de 971 fraudes foi detectado, na realização de provas, no Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologia do Huambo, no decurso deste primeiro semestre do ano académico, revelou, o presidente da Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola.
Joaquim Caiombo referiu que, como consequência das 971 fraudes verificadas, houve a anulação de 925 provas e a expulsão de 25 estudantes.
O líder associativo, que apresentava ao Jornal de Angola, o balanço da situação dos estudantes durante os primeiros meses deste ano académico, acrescentou que, em função das provas fraudulentas, pelo menos 21 alunos foram suspensos de um a três meses.
No que à corrupção diz respeito, o presidente salientou que a Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola está a trabalhar com uma empresa americana, que tem vasta experiência neste capítulo, sem, entretanto, mencionar o nome da instituição parceira.
Nesta problemática, Joaquim Caiombo disse que a Associação tem estado a trabalhar com o apoio da Procuradoria Geral da República e de distintas organizações da sociedade civil e Instituições do Ensino Superior, para tentar reduzir as fraudes neste subsistema de ensino.
Para isso, são realizadas palestras sobre o tema da corrupção em várias escolas de Luanda, trabalho que vai ser estendido, em breve, às províncias do Huambo.
De modo a melhorar as formas de combate à corrupção no Ensino Superior, o presidente da Associação apelou ao Executivo para elevar, a partir do próximo ano académico, a 20 por cento o Orçamento Geral do Estado (OGE), para o sector da Educação.
Joaquim Caiombo explicou que o aumento para 20% do OGE é o recomendado pela UNESCO e aplicado em muitos países. Presentemente, o Estado concede ao sector da Educação apenas 6,2% do OGE.
O responsável associativo considerou que esse aumento vai permitir, igualmente, a melhoria das condições sociais dos professores, tendo em conta o impacto na remuneração, que funciona sempre como um instrumento bastante importante na vida dos agentes do ensino.
“Um bom salário motiva sempre o trabalhador e os professores não são uma excepção”, afirmou, acrescentando que um técnico motivado, na sua acção pedagógica, está sempre em melhores condições para transmitir conhecimentos e torna-se menos propenso aos esquemas de corrupção.
No entender de Joaquim Caiombo, o bem-estar dos professores, associado a um bom ambiente de trabalho e condições académicas, pode contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e do combate à corrupção no sistema de educação do país.
O presidente da Associação defendeu que as autoridades devem avaliar o sector da Educação numa perspectiva futurista, num horizonte de 20 anos, para se construir alicerces com indicadores e alcançar objectivos a longo prazo.
Dos objectivos a longo prazo, tabelado em 20 anos, elencou a melhoria da remuneração do quadro educativo, qualidade dos professores, infra-estruturas e o fomento de instituições do Ensino Superior, capazes de absorverem a procura do mercado.
Maioria das Universidades é privada
O sector privado controla 75% das Universidades em Angola, sendo que só 25% estão sob tutela do Estado, realçou Joaquim Caiombo.
Segundo fez questão de explicar, o país não satisfaz ainda a procura de candidatos ao Ensino Superior, tendo em conta que nem todas as famílias têm condições para matricular os jovens no privado, dado o valor elevado das propinas.
No que toca à exiguidade de infra-estruturas académicas em certas áreas de formação, lamentou o facto de a província de Luanda dispor apenas de uma Universidade que ministra o curso público de Medicina.
O estudante congratulou-se com o facto de o Presidente da República ter anunciado a disponibilização de dez mil bolsas de estudo internas, a partir do próximo ano, no subsistema do Ensino Superior, que controla mais de 300 mil jovens.
Joaquim Caiombo revelou que uma das recomendações, propostas ao Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação pela sua Associação, aquando da abertura do novo ano académico, tem a ver com a garantia dos estágios curriculares aos jovens recém-formados.
“Há muitos jovens diplomados desempregados, porque, por norma, os currículos não satisfazem as necessidades das empresas que exigem experiência profissional de quatro ou cinco anos”, disse.
De acordo com o presidente da Associação, muitos desses jovens são marginalizados, pelo facto de as instituições académicas onde se formaram não garantirem estágios curriculares.
Para ultrapassar estes entraves, o representante dos estudantes das Universidades Privadas defendeu que o Estado deve criar incentivos fiscais junto das empresas a troco de estágios curriculares para os jovens, após conclusão da formação.
Fonte: Jornal de Angola
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