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Mais de metade das mulheres em Angola não trabalhava e apenas 23,4% tinha conta bancária, revela INE

Mais de metade das mulheres em Angola não trabalhava e apenas 23,4% tinha conta bancária, revela INE

Mais de metade das mulheres em Angola, 51,3%, não exercia qualquer actividade laboral no período analisado, enquanto apenas 23,4% possuía uma conta bancária ou noutra instituição financeira, segundo dados do mais recente Relatório sobre o Género do Instituto Nacional de Estatística (INE), elaborado com base no IIMS 2023-2024.

Os dados revelam profundas diferenças no acesso das mulheres ao emprego, aos serviços financeiros e aos recursos económicos, com fortes disparidades entre zonas urbanas e rurais, níveis de escolaridade, províncias e condições económicas.

Entre as mulheres que estavam a trabalhar, 56,3% residiam em zonas urbanas e 43,7% em áreas rurais. Já entre as mulheres que não exerciam actividade laboral, 78,5% viviam em zonas urbanas, contra 21,5% nas zonas rurais.

Apenas 23,4% das mulheres tinham conta bancária

O acesso aos serviços financeiros continua igualmente limitado. Segundo o relatório, apenas 23,4% das mulheres possuíam uma conta bancária ou noutra instituição financeira, enquanto 76,6% não tinham acesso a este tipo de serviço.

Entre as mulheres que possuíam conta, 79,7% movimentaram dinheiro nos 12 meses anteriores ao inquérito, demonstrando que a existência de uma conta não representa apenas acesso formal ao sistema financeiro, mas também utilização efectiva dos serviços disponíveis.

A limitada inclusão financeira pode representar um obstáculo adicional à autonomia económica das mulheres, sobretudo para aquelas que não possuem rendimentos regulares ou vivem em contextos de maior vulnerabilidade económica.

Escolaridade está fortemente associada aos recursos económicos

O relatório aponta também para uma relação significativa entre o nível de escolaridade e os recursos económicos disponíveis.

Entre as mulheres sem educação, 64,5% encontravam-se na categoria de recursos baixos, enquanto apenas 7,1% estavam no nível alto.

A situação é bastante diferente entre as mulheres com ensino superior: 75,6% estavam no nível alto de recursos e apenas 2,2% no nível baixo.

No conjunto da população feminina analisada, 32,5% foram classificadas na categoria de recursos baixos, 39,5% na categoria média e 28% na categoria alta.

Diferenças entre zonas urbanas e rurais

O local de residência também apresenta uma forte associação com o nível de recursos económicos.

Nas zonas rurais, 64,2% das mulheres estavam no nível baixo de recursos, enquanto apenas 4,4% se encontravam no nível alto.

Nas áreas urbanas, por outro lado, 17,3% estavam no nível baixo, 43,4% no nível médio e 39,3% no nível alto.

Os dados mostram, assim, uma diferença significativa nas condições económicas das mulheres conforme o território onde vivem.

Luanda e Cabinda concentram maior proporção no nível alto de recursos

As diferenças também são observadas entre as províncias.

Luanda registou 45,4% de mulheres no nível alto de recursos, seguida de Cabinda, com 45,2%.

No extremo oposto, o Cuanza Norte apresentou 61,9% das mulheres no nível baixo de recursos, seguido da Lunda Norte, com 58,4%, e do Moxico, com 53,5%.

Os números evidenciam a existência de fortes desigualdades territoriais no acesso das mulheres a recursos económicos.

Mulheres mais pobres enfrentam maior limitação de recursos

A condição económica das famílias também está directamente relacionada com os níveis de recursos das mulheres.

Entre as mulheres pertencentes ao quintil mais pobre, 85,4% estavam no nível baixo de recursos e nenhuma alcançava o nível alto.

Entre as mulheres do quintil mais rico, a realidade era inversa: 79,2% estavam no nível alto de recursos, enquanto apenas 2% se encontravam no nível baixo.

O relatório também identifica diferenças relacionadas com a situação laboral. Entre as mulheres que trabalhavam, 27,5% estavam no nível baixo de recursos, 40,3% no médio e 32,2% no alto.

Entre as mulheres que não trabalhavam, 37,7% estavam no nível baixo e 23,6% no nível alto.

Mais recursos não significam necessariamente maior participação nas decisões

Apesar da associação entre melhores recursos económicos e maior capacidade financeira, os dados mostram que isso não se traduz automaticamente numa maior participação das mulheres em determinadas decisões familiares.

Na área da saúde, 62,4% das mulheres não participavam nas decisões, enquanto 37,6% decidiam conjuntamente.

Nas decisões relacionadas com dinheiro, 70,2% das mulheres não participavam, 25,1% tomavam decisões conjuntamente e apenas 4,7% decidiam sozinhas.

Mesmo entre as mulheres classificadas no nível alto de recursos, 72,3% não participavam nas decisões sobre dinheiro.

Idade ao primeiro casamento também apresenta relação com os recursos

O relatório identifica ainda uma associação entre a idade ao primeiro casamento e o nível de recursos económicos.

Entre as mulheres que se casaram antes dos 15 anos, 48,3% estavam no nível baixo de recursos e apenas 13,1% no nível alto.

Entre as mulheres que se casaram aos 18 anos, 29,2% estavam no nível baixo e 31,6% no nível alto.

Os dados do INE mostram, de forma geral, que emprego, escolaridade, localização geográfica, condição económica e acesso aos serviços financeiros estão associados às condições de vida e ao nível de recursos das mulheres em Angola.

Para o mercado de trabalho, os números reforçam a dimensão do desafio da participação económica feminina no país, sobretudo quando se consideram as diferenças entre as províncias e entre mulheres com diferentes níveis de escolaridade e condições socioeconómicas.

FONTE: VALOR ECONOMICO

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