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Militares podem ser proibidos de ir à igreja fardados em Angola

Uso da farda pode ser proibido durante atividades religiosas

Os efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) poderão ser proibidos de participar em atividades religiosas fardados, caso seja aprovada a proposta de lei que altera o Código de Disciplina Militar, atualmente em apreciação na Assembleia Nacional.

A medida foi discutida durante a Reunião Conjunta das Comissões de Trabalho Especializadas e visa reforçar o princípio da neutralidade religiosa no seio das forças armadas, sem, contudo, limitar a liberdade religiosa dos militares enquanto cidadãos.

De acordo com o procurador militar das FAA, Filomeno Octávio Benedito, a proibição aplica-se exclusivamente ao uso do uniforme em atos religiosos, não impedindo que os militares pratiquem a sua fé quando se encontram em traje civil. O responsável explicou que o artigo 20.º do diploma estabelece o dever de neutralidade religiosa dos militares, determinando que não devem participar em atividades religiosas quando estiverem fardados.

O mesmo diploma prevê ainda a proibição de solicitação de empréstimos financeiros entre militares com cobrança de juros dentro das unidades, medida que, segundo as autoridades, visa preservar a hierarquia, a disciplina e evitar constrangimentos resultantes de eventuais incumprimentos de obrigações financeiras entre superiores e subordinados.

O tenente-general António Cambinda reforçou, durante a sessão parlamentar, que a iniciativa do Executivo pretende regular a disciplina militar e assegurar a integridade das unidades castrenses, lembrando que já existem normas nas Forças Armadas que desaconselham este tipo de práticas.

Durante o debate, alguns deputados defenderam que a ligação com Deus não depende do traje, e que um militar, após cumprir a sua missão, deve poder exercer livremente a sua fé, seja fardado ou em roupa civil, admitindo-se, no entanto, a existência de exceções.

Por sua vez, o deputado da UNITA, José Camuanga, apontou a existência de algumas incoerências no Código de Disciplina Militar e defendeu a necessidade de separar os aspetos relacionados com os militares no ativo, na reserva e na reforma. O parlamentar sublinhou ainda que o Código não deve sobrepor-se aos direitos consagrados na Constituição, lembrando que o militar é, antes de tudo, um cidadão com direitos e deveres.

A proposta continua em apreciação no Parlamento, onde deverá ser debatida e votada na especialidade antes da sua eventual aprovação final.

Fonte: Jornal de Angola: Edição 06.02.2026

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